A guerra persuasiva

Desde que a guerra é guerra, ela também se dá no plano ideológico. Nazistas, comunistas, norte-americanos, o regime militar brasileiro, a atual propaganda estatal (por que diabos o governo precisa fazer propaganda que não seja de utilidade pública? Coisas como campanhas de vacinas, alistamento militar etc. até entendo). Podem bombardear todo e qualquer vilarejo suspeito no Oriente Médio, essa guerra não pode ser vencida.

Não pode porque não se pode matar uma ideia. Hitler conseguiu mobilizar um povo em torno de uma ideia. Perdeu a guerra, mas a ideia não morreu. De tempos em tempos ela ressurge. Os alemães (ou os brancos em geral) são superiores a outras raças, destinados à grandeza, e o estrangeiro está no seu quintal para tirar dele o seu emprego, o seu dinheiro, a sua terra. É o mesmo discurso que os extremistas islâmicos usam: estão destinados à grandeza, são o povo escolhido por Deus, e o outro está lá para roubar as suas riquezas. Estou simplificando, mas acho que a ideia é essa.

Como é que esse discurso funciona? Propaganda. As imagens que nos chegam são de um bando de maltrapilhos no meio do deserto. Mas eles têm wi-fi, têm celular. Eles andam em Mitsubishis e Toyotas, falam em Iphones e S4s, conversam pelo Skype, pelo Facebook e pelo Twitter. Se duvidar suas armas são israelenses e americanas, justamente os povos que tratam como inimigos.

Vi há pouco um documentário na GloboNews. Uma jornalista se infiltra em grupos pró-estado islâmico no Facebook e entra em contato com eles como se fosse uma francesa convertida que quer se casar com um soldado. Eles a orientam a ir até a Turquia. Lá um contato a ajudaria a chegar até uma cidade Síria onde seu futuro marido estaria. A promessa é que ela teria luxos, ficaria segura em uma mansão onde as mulheres dos soldados moram. Na Turquia ela conhece uma jovem francesa (nascida na França de pais franceses) que fugiu de casa para se juntar ao Estado Islâmico. A idade da jovem: 15 anos. Isso mesmo. Ela tem 15 anos! É ingênua, está completamente iludida pelas promessas de luxo e vida boa. E se nada der certo, a jornalista pergunta: ainda posso virar uma mártir, a garota responde. 15 anos! E o pior. Ela fugiu com uma identidade falsa. Embarcou tranquilamente na França, passou tranquilamente pela alfândega na Turquia. Ninguém a parou, ninguém percebeu que a foto na sua identidade não era sua, era da sua irmã mais velha. Estava de burca, claro. Era só mais uma muçulmana saindo do país.

Discordo do Tulio Milman. A história mostra que o capitalista está pouco se lixando. O dono do banco não quer saber de onde vem o dinheiro. O fabricante de armas não se importa com o número de vítimas que elas produzem. O dono do Facebook se importa com uma foto de peitos, mas não se se criam grupos para espalhar preconceito e ódio, ou aliciar simpatizantes para qualquer causa obscura. Alguém financia a guerra. E quem a financia não está rasgando dinheiro.

O mesmo documentário mostra que a propaganda é superproduzida. Os vídeos são em HD. Neles soldados são retratados como heróis; as cidades, oásis de prosperidade. Além disso, crianças sorridentes, com fuzis empunhados, brincam nas ruas; e mulheres fazem as compras em feiras-livres com frutas e verduras frescas. Nada mais longe da realidade. Quem permanece nas cidades passa fome, é roubado, e praticamente toda atividade econômica individual é suprimida. Não há comércio, não há agricultura, não há serviços públicos. Mas o convertido não se importa, para ele a ilusão é mais importante que a realidade. Um francês, um belga ou um inglês tem acesso à informação, sabe o que acontece lá, pelo menos via noticiário. Por que escolhe acreditar na ilusão e no que diz o seu irmão de fé? Aliás, por que um cristão se converteria ao islã? Por que esses filhos de imigrantes, ou mesmo cidadãos de países europeus engrossam a lista do EI? Por que se voltam contra o seu país natal ou o país que acolheu seus pais? Propaganda. Pura e simples propaganda.

Memória do Campos é documentário que mostra alguns campos de concentração descobertos depois da derrota nazista. Muitos campos ficavam na região rural de cidades pequenas. Os habitantes dessas cidades sabiam o que acontecia lá, embora a maioria não testemunhasse. Quando americanos chegaram a essas cidades, obrigaram as pessoas a irem lá ver. Saber é uma coisa, testemunhar a olho nu é outra. Mesmo conscientes da maldade, parece que havia ainda um certo pudor. Com o EI é diferente. Eles têm orgulho da maldade, a espetacularizam (e o jornalismo internacional divulga essas imagens aos borbotões: não percebem que é isso que eles querem?). Hannah Arendt disse em algum lugar que o ser humano não é mal por natureza. Ela, Rousseau, e tantos outros que repetem essa ladainha, estavam errados. Todo ser humano é mau, basta que tenha oportunidade para mostrar isso (se não conhecem a história do experimento da prisão com estudantes universitários, vejam a palestra no TED, é bem convincente; ainda não se convenceu, leiam o Tábula Rasa do Steven Pinker). Por outro não é justamente o que os americanos fizeram após a invasão ao Iraque? Os soldados americanos não faziam piada com os prisioneiros? Não faziam filmagens humilhando os coitados? Nós, os civilizados? Não linchamos um ladrãozinho de galinha, filmamos e jogamos no Youtube? Não lincharam uma mulher em Santos no ano passado por conta de um boato de Facebook? (foi tudo filmado, não?) Não bateram em um guri até a morte há pouco tempo no interior do Rio Grande do Sul por conta de uma briga de boate por um motivo banal qualquer? Os conservadores não ficam xingando conhecidos políticos petistas em ambientes públicos simplesmente porque a narrativa construída é de que o PT é o partido mais corrupto do Brasil? Aposto que o Maluf nunca foi incomodado num jantar; muito menos Luis Estevão.

No final das contas, me parecer que o horror é só uma questão de perspectiva. Ou melhor, de propaganda. Assim como o ódio.

Dilma: craque ou perna-de-pau?

Um dos predicados da Dilma era não ser um político. Ao passo que sempre foi tida como boa administradora. Agora todos querem que ela faça política, lamba o saco de aliados, dê telefonemas pedindo desculpas ao Temer toda vez que ele ficar magoadinho por alguma coisa. Claro que adversários se apegarão a qualquer coisa para a criticarem. Seja sua dificuldade para falar em público de improviso ou sua falta de habilidade para lidar com o congresso e o senado. Ela não governa mais, dizem (quem diz tem autoridade para o dizer?). E em que sentido é esse “governar”? Fazer com que o congresso aprove tudo o que o planalto desejar? Sei não. De qualquer forma, se a comparação vale, pelo menos como ilustração: será que não contratamos um volante de contenção, enquanto o que se espera que ela faça é armar o time?

Liberdade, liberdade!

Eu tinha anotado umas ideias pra escrever sobre isso já há algum tempo e fui deixando, deixando… e vou escrever logo antes que a caravana passe, embora eu creia que vá demorar a passar. A Piauí desse mês me soa como um retrato da época em que vivemos, o esgotamento de um modelo de gestão política federal. Talvez a eleição passada fosse mesmo o momento da mudança, mas as alternativas soaram muito piores do que o que estava aí. De qualquer modo, vou falar disso de novo. Por que tem gente que quer voltar a ser governado por militares?

Eu tenho algumas respostas pra isso, hipóteses, digamos. Uma boa parcela da população mais velha tem boas lembranças do período. “Eles não conhecem a história? Não sabem o que acontecia nos porões do DOPS etc.”? Sabem. Claro que sabem. Devo ter dito isso no texto anterior, mas não custa repetir. Quem era preso? Comunistas, sindicalistas e outros arruaceiros. Tinham mais é que tomar bordoada mesmo. É isso o que pensam aqueles que querem a volta de um governo militar, pra colocar ordem nessa bagaça.

Ordem? Pois é. Aqui está a segunda razão. As Forças Armadas são encaradas como um bastião da moralidade: lá não há ladrões, todos são disciplinados e obedecem seus superiores, são organizações bem estruturadas… (clichês, óbvio; em parte verdade, certamente) em suma, não há ladroagem e putaria, coisa que o PT institucionalizou na coisa pública, dizem. Me soa como uma explicação quase psicanalítica. A sociedade não consegue se autoadministrar, precisamos de um irmão mais velho, alguém que nos coloque no lugar, que diga que não devemos sentar com as pernas abertas, tirar tatu do nariz, ou coçar o saco em público. Sinto que falhamos enquanto sociedade, enquanto democracia.

Nesse sentido, notem, a democracia tem a ver com aceitar coisas de que não gostamos. Num governo militar legalizar aborto, consumo de maconha ou casamento homossexual jamais entraria na pauta de discussão da sociedade e do congresso. É nisso também que se apegam. Os que pedem a volta de um regime militar se ancoram nesse passado glorioso onde a família tradicional estava livre disso tudo. Sabemos que não, óbvio. As coisas aconteciam escondido, e é melhor que permaneçam assim.

Podemos culpá-los por pedir isso, diante de tudo que temos visto? A economia viveu momentos gloriosos, o país crescia, tinha emprego, tinha escola (pra quem?), tinha vaga na universidade (pra quem?), a violência era baixa (era mesmo?) e os marginais presos (eram mesmo?).

A liberdade assusta algumas pessoas. Preferem a opressão, a polícia moral. Afinal, a liberdade gerou esse fuzuê todo. O pobre não sabe votar, é manipulado pela militância-lavadora-de-cérebro-propagandista do PT (livre-arbítrio, escolhas, oi?), num regime militar isso não aconteceria, afinal, não teria voto.

Ditadura? Como assim?

Alguns de nós se fizeram essa pergunta ao descobrir que algumas pessoas saíram às ruas ontem com cartazes em que se lia “intervenção militar já!”. Muita gente escreveu por aí: eles não conhecem a história? Não saberiam o que os militares fizeram durante o período em que governaram o país? Não sabem o que os ditadores fazem? Claro que eles sabem. Mas vou adotar um ponto de vista diferente aqui, me interessa entender por que é que mesmo assim há um grupo de indivíduos na nossa sociedade que prefere a perda da liberdade a ser governado por um governo do qual discorda.
Fazendo uma sociologia de fundo de quintal, eu diria que a política tem um quê de religião, no sentido em que as pessoas estão dispostas a acreditar em certos tipos de coisas, mesmo que as evidências as contradigam. Vejam-se os debates eleitorais, por exemplo. Não se está ali para avaliar o melhor candidato, por mais que nos digam que seja essa a sua função. Os candidatos estão muito mais preocupados em colocar o adversário em uma posição vexatória ou mostrar os seus defeitos; além, claro, de apresentarem suas propostas. Na letra fria, é um concurso de retórica.
Outro “argumento” nesse sentido. Por que o PT possui a fama de ser um partido corrupto quando não é o partido com mais membros envolvidos em casos de corrupção? Eu diria que isso se deve a uma perseguição incessante de certos veículos de comunicação. Uma denúncia de mal-feito toma uma dimensão espetacular se o político envolvido for do PT ou de alguém minimamente envolvido com o partido. Não estou defendendo os corruptos, apenas gostaria que a imprensa tratasse os políticos desonestos com a mesma medida. E além do mais, eles estão sendo processados, qual é a bronca, então?
Voltando à questão inicial, agora acho que posso arriscar uma resposta. As pessoas estão dispostas a abrir mão de sua liberdade porque acreditam que entre isso, e tirar do poder um governante que elas não aceitam, a primeira opção é melhor. Nossa ditadura recente foi civil-militar, embora apenas militares tenham sido presidentes. Os vinte e poucos anos sem eleições pra presidente só funcionaram pelo apoio civil. Ás vezes tenho a impressão que as pessoas falam do período como se os generais faziam o que bem entendiam e a sociedade assistia a tudo de braços cruzados com medo. Desculpa informar, mas tinha muita gente aplaudindo.
Além do mais, as pessoas que saíram às ruas ontem acreditam piamente que estão fazendo a coisa certa. Para elas não há uma segunda opção. Aceitar o resultado das eleições seria aceitar a derrota e compactuar com os escândalos de corrupção – na visão estreita de mundo dessas pessoas, quem votou em Dilma está sendo cúmplice da roubalheira. Não é nada disso. Tem a ver com representação, e isso vale para um bom grupo de pessoas. Arriscando uma estatística mequetrefe, eu diria que pelo menos uns 30% de cada lado jamais votaria do oposto, não importa o que acontecesse – uns 20% tendem a apelar para critérios mais racionais, e uns 20% não estão nem aí. Conservadores nunca votarão no PT, nem que o partido tivesse feito o governo mais honesto da história. Petistas jamais votarão num candidato de direita, nem que ele seja o candidato mais preparado e qualificado. Assim, se o sujeito diz que não vota no PT porque o governo é desonesto ele está apenas se enganando. Eu arriscaria a perguntar a essa pessoa por que ela não muda de religião, já que muitos padres são pedófilos, pastores abusam sexualmente de fiéis, mentem milagres, e descaradamente pedem dinheiro de pobres coitados enquanto moram em coberturas de luxo.
E justamente por pensarem estar fazendo a coisa certa, o fato de que em uma ditadura as liberdades sejam cerceadas, os opositores normalmente são presos ou calados, ou exilados, tudo isso é até justo. Afinal, quem apoia um regime desse tipo não tem com o que se preocupar, pois foi aquilo mesmo que ela pediu: a polícia tem mais é que descer o sarrafo nesses vagabundos.

Uma pequena reflexão sobre as eleições presidenciais

A política é aquele ramo em que as ideologias se chocam com uma clareza espantosa. E basta dar uma passada de olhos nos jornais locais para perceber a posição de cada um.

Há aqueles que não aceitam a derrota “Dilma não teve maioria”. Como assim, meu? Ter obtido 56% dos votos válidos não é maioria? Há outros inconformados que justificam a eleição dela como criação de Lula (como se isso fosse algo menor ou desprezível). Ou seja, ela foi eleita apenas por ser a candidata dele. Claro, pouco importaram os debates, a propaganda, os comícios, as suas ideias, a eleição já estava ganha de saída.

Aí entra em cena outro jogo, que é o das influências. E esse é o barato. Como na terra do Valdir Rossoni (Bituruna, PR) a Dilma conseguiu mais votos que o Serra? Como um estado que tem governador (por sinal eleito nas costas do Aécio Neves, mas aí pode, ele é homem) e senadores do PSDB não conseguir transferir seus votos para o candidato que apoia? Como a militância petista da região não conseguiu que Dilma tivesse votação mais expressiva nas cidades? Aí entra em cena a ideologia.

Digamos que 80% das pessoas já tinham decidido seu voto antes da propaganda começar e 20% estavam indecisos. A propaganda começa, alguns mudam de opinião por um motivo ou outro: acham o Serra arrogante, a Dilma se veste mal e disse que nem Deus tira dela a vitória (e olha que tinha “jornalista” por aí repetindo isso como se fosse verdade), um vai aumentar o salário, a Marina vai cuidar melhor do meio-ambiente, etc. Sem falar nos escândalos e ofensas. No final do segundo turno as duas chapas já tinham partido para o vale-tudo. Refaçamos os cálculos: é bem provável que aqueles 80% que já tinham voto decidido continuaram assim, pelas razões que passo a expor.

Por questões ideológicas: pouca gente tem consciência disso, mas muita gente vota por questão ideológica. Não votar em uma mulher por achar que lugar de mulher é no fogão é ideologia; não votar em mulher por achar que mulher não sabe administrar é ideologia; acreditar que a mudança é saudável é ideologia; defender o direito do patrão sobre o do empregado é ideologia; acreditar em tudo que se lê é ideologia; acreditar piamente em tudo que o padre diz é ideologia… Eu poderia passar o dia enumerando exemplos, o que seria cansativo e chato. Acredito que o leitor já tenha entendido onde quero chegar. Muita gente vota por questão ideológica e pouco importa o que o candidato pensa ou defende, importa que ele pense e defenda aquilo que eu penso e defendo. Assim como há aqueles que não votaram na candidata porque ela é do PT e muita gente detesta o partido, a recíproca é verdadeira: muitos não votaram no Serra porque detestam o PSDB e o PFL e o que eles representam. No final do dia, pouco importa quem privatizou mais, quem criou mais empregos (embora para quem melhorou de vida nos últimos quatros anos isso importe, e muito), ou quem criou mais vagas em universidades federais ou quem foi o partido que controlou a inflação e criou o Real.

Voto de cabresto: parece aquelas coisas que vemos só em livros de história, mas não é. Sinto que ele existe. Há quem tema perder o emprego se não votar no candidato do patrão ou mesmo quem se ache na obrigação de fazer isso. Se duvidar a ameaça é aberta, mas pouco se fala disso, não há imprensa investigativa na cidade e os muitos jornais existentes defendem interesses privados, quando não servem apenas para os colunistas falarem de si mesmos, isso é fato.

Parece-me que a propaganda muda muito pouco a convicção dos eleitores. Embora há uma parcela significativa da população que escolheu seu candidato durante a campanha (uns 30%), é difícil saber. A conclusão me parece ser a de que são esses 30% que se movem gerando a oscilação nas pesquisas. Sem contar as abstenções, gente que viajou por uma razão ou outra, faleceu e o título não foi cancelado, estava doente, etc. Enfim, não sei se consegui defender com clareza a tese que pretendia, mas acho que tenho um bom argumento.

 

Meus 10 motivos para votar na Dilma

1) Continuidade de um programa que vem dando certo: ela representa um programa de governo não a si mesma;

2) Opção ideológica: a chapa de Dilma representa um conjunto de crenças que defendo;

3) A política econômica é bem sucedida: nunca a população teve tanto acesso aos bens de consumo duráveis “It’s the economy, stupid!”; (foi pela mesma razão que o FHC se reelegeu em 1998)

4) A chapa concorrente representa um tipo de gente que me causa náuseas: ouvir os serristas falarem só me dá mais vontade de ver a Dilma presidente, não quero ter um presidente que represente pessoas que preferem a agressão e a calúnia ao debate sério: 80% votarão no Serra simplesmente porque detestam o Lula e o PT, não se preocupam com propostas ou programas de governo;

5) A oportunidade de fazer história: quero ajudar a eleger a primeira mulher presidente;

6) Ela tem personalidade suficiente e não é marionete: por mais que a oposição tente pintá-la como uma construção do Lula e do PT, a história dela na vida pública mostra que ela sempre ocupou cargos importantes e é uma mulher de fibra que não vai servir ao jogo sujo da ala pobre do partido (por mais que eu não concorde com a presença de certos companheiros lá dentro, acredito que o PT e o que ele representa ainda são maiores do que uma meia dúzia de aloprados);

7) A chapa serrista usa e abusa do estratagema 38 de Schopenhauer (Como vencer um debate sem precisar ter razão):

“Quando percebemos que o adversário é superior … nos tornamos pessoalmente ofensivos, insultuosos e grosseiros. O uso das ofensas pessoais consiste em sair do objeto da discussão (já que a partida está perdida) e passar ao contendor, atacando, de uma maneira ou de outra, a sua pessoa.”

Isso só possui uma explicação: como não conseguimos ganhar no debate das propostas, vamos atacar a candidata.

8) A manutenção do debate e do apoio às minorias;

9) Continuidade de investimentos na educação e na valorização do servidor público:  É só ver a expansão das vagas nas universidades federais, o crescimento dos institutos tecnológicos e centros de ensino técnico, ofertas de bolsas de pós-graduação;

10) Investimentos em infra-estrutura: tem o PAC, diante da crise o governo não cortou gastos, o que seria a estratégia natural da ortodoxia. Na crise de 1929 os Estados Unidos se reergueram com investimento maciço do governo em infra-estrutura, gerando emprego e renda, o New Deal, daí veio a Segunda Guerra e gerou mais empregos;

Sem falar que enquanto a propaganda da situação insiste na comparação entre os programas e políticas de governo a oposição insiste nos ataques sistemáticos à Dilma e nas promessas demagógicas: aumento de salário, aumento para aposentados, mais hospitais, mais polícia (desde quando é missão do governo federal criar polícia? isso é se negar a investir nas polícias dos estados, se negar a investir nos batalhões de fronteira, se negar a fazer acordos de cooperação com os países vizinhos no combate ao tráfico).

eu não entendo nada de política (mas vou escrever mesmo assim).

Uma tentativa de resposta ao Rerisson:

1) Uma coisa é uma coisa: no contexto do século XIX era a única forma do proletariado conseguir seus direitos: a revolução. Pessoalmente discordo do que Stalin, Mao e Fidel fizeram ou mesmo Chávez faz. O fato de eu simpatizar com a esquerda não quer dizer que eu seja ortodoxo. Para o PSOL, PSTU e congêneres todo poder é culpado de tudo e só a revolução resolverá os problemas do povo. Os radicais do PT fundaram o PSOL justamente porque o PT se modernizou, e só com essa mudança ideológica o partido chegou ao poder, mesmo que às custas do radicalismo ingênuo. O PSDB era de esquerda na sua fundação, FHC era de esquerda. O movimento para o centro do espectro político foi um caminho natural e saudável.

3) A controvérsia é saudável. A política seria um saco se todos dissessem amém ao que diz a direção de um partido. Discordo de algumas posturas da Dilma e do Lula, mas aquilo em que acredito é maior do que eles. Eles são representantes, apenas, não donos de minhas crenças políticas. O que me une a eles é o que o partido representa, muito mais do que as opiniões pessoais que eles ou Zé Dirceu possuam. Mas no final das contas a maioria vence, mesmo que isso não nos agrade, temos que aceitar.

4) Você tem razão. Tanto é assim que o Ciro Gomes, que já criticou o PT e o PMDB está do lado de Dilma no segundo turno (por que será?). É claro que uma parte considerável de nossos políticos se debandeia para onde está o poder, tirando a extrema direita (DEM) e a extrema esquerda (PSTU, PSOL).

5) Sim, é mentira. Não, o PT não tem passado leis de censura. Regular a atividade é uma coisa, censurar é outra. Quanto ao aparelhamento do estado isso não significa nada. Qualquer partido que entre vai aparelhar os órgãos públicos com correligionários, isso é fato.

6) Não é discurso petista chamar a imprensa de mídia. A ‘mídia’ envolve todos os meios de comunicação. Tá, ele queria expulsar o jornalista: e conseguiu? “Queria passar por cima do congresso”, passou? vivemos em uma democracia saudável. Claro que me preocupo com certos arroubos autoritários, de quem quer que seja. Tudo isso está baseado em duas premissas equivocadas: a mídia presta um serviço de utilidade pública e deve informar os fatos com objetividade. A mídia, como qualquer empresa, só tem compromisso com o lucro. Segundo, a objetividade é uma ilusão (olha que eu sou racionalista e detesto os relativismos a la Derrida ou a la Análise de Discurso francesa). Nossa visão dos fatos é sempre atravessada pela ideologia, não há como escapar disso.

7) A Dilma não é contraditória sobre isso. Ser a favor da descriminalização não é ser a favor da matança de criancinhas. As coisas são diferentes. O problema é de saúde pública e não uma questão religiosa como tem sido vendida. Não acho nem que o tema deveria estar sendo discutido na campanha porque isso não é de competência do executivo, quem trouxe o tema à baila foi o PSDB para agredir a Dilma.

9) Ninguém diz que quem é contra o aborto está do lado errado. Também sou contra, não acho que uma mulher que engravidou por inconsequência ou irresponsabilidade possa simplesmente ir ao próximo posto de saúde e pedir um aborto. Só acho errado discutir uma questão de saúde pública do ponto de vista da religião, para quem usar camisinha é errado. O ódio aos pobres está misturado no seu raciocínio, não entendi o que ele faz ali.

10) Também sou contra o Bolsa-família sem contrapartida: no final vira paternalismo. O controle deve ser rígido, só que isso é de responsabilidade das prefeituras e creio que cabe ao legislativo regular isso. Lula acusava a bolsa do FHC, agora a chapa de Serra critica a bolsa do Lula. Faz parte do debate.

11) Você está equivocado. O PNDH 3 (o 1 e o 2 foram feitos no governo FHC) é um programa de governo (não do partido). A igreja critica a descriminalização do aborto, o casamento gay e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, coisas previstas no PNDH3. A igreja tem todo o direito de ser contra isso. Quem decidirá é o congresso nacional, não o presidente. Quanto à proposta de censura de imprensa isso é a leitura do Reinaldo Azevedo. Esse programa, PNDH, foi desenvolvido baseado num tratado que o Brasil assinou no ano de 1993, em Viena. Não vou me dar o trabalho de ler o negócio todo agora, mas seria no mínimo contraditório um documento que defende a abertura dos arquivos das forças armadas ao mesmo tempo censurar a imprensa (ou a mídia, o que preferir).

12) A Folha é tão democrática que conseguiu tirar do ar um site que fazia piada com suas notícias, além de ter demitido uma jornalista porque não concordaram com o que ela escreveu.

13) Acho que já respondi acima: não existe imparcialidade. Exigir parcialidade é um equívoco. Não estou dizendo que noticiar escândalos seja errado, em nenhum momento disse isso. O presidente tem todo direito de não gostar, se eu fizesse algo errado, e publicassem também não gostaria de ler sobre.

14) Foi um elogio genério, não vou procurar a edição pra te mostrar.

15) Sabatina leve? fala sério, então vimos programas diferentes. O Bonner só faltava babar enquanto falava com a Dilma. Novamente, aqui nossas ideologias vão interpretar as coisas de forma diferente, não há como chegar a lugar algum.

16) Veja a veja. Objetividade? me embrulha o estômago a forma como as coisas são escritas na Veja, Reinaldo Azevedo e o Mainardi nutrem um ódio pelo PT e pelo Lula que dá nojo. A crítica é saudável, quando feita com bom senso e respeito. E na boa, se você acha que reportagem sobre a roupa da Dilma “vestida para mandar” (olha o trocadilho) é seriedade e objetividade …

17) Bom, se o IBOPE tem problemas com regulamentação de pesquisa eleitoral aí estamos fritos, não podemos confiar em mais ninguém. Não é o Ibope que diz que o presidente tem a popularidade alta? Vai ver só perguntaram aos petistas.

18) Aqui eu concordo. Lula teve todo o tempo do mundo para estudar. De 1990 a 2002 não exerceu cargo algum. O sucesso dele só veio depois de ter assumido o governo, daí que seu raciocínio não tem segue. Ele é sim um pobre que venceu por esforço e trabalho. Muitos pobres venceram pelo trabalho e esforço sem terem estudado. Não acho que ele seja exemplo para nada. É só um líder nato, com uma inteligência política incrível. Um cidadão comum que chegou ao poder. Todo mundo defende que estudar é bom e é importante, aí é escolha da pessoa estudar ou não. Ele escolheu não estudar. Nos anos 70 um cursinho técnico era o máximo que um estudante pobre iria alcançar e já era grande coisa pra época.