Daltonismo – Documentário sobre Dalton Trevisan

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Abre aspas

Carlos Alberto Faraco, na Gazeta do Povo:

“O tom geral é de escândalo. A polêmica, no entanto, não tem qualquer fundamento. Quem a iniciou e quem a está sustentando pelo lado do escândalo, leu o que não está escrito, está atirando a esmo, atingindo alvos errados e revelando sua espantosa ignorância sobre a história e a realidade social e linguística do Brasil.”

Sírio Possenti, na sua coluna no site (ou saite?) Terra:

“o linguista diz que a escola deve ensinar a dizer Os livro? Não. Nenhum linguista propõe isso em lugar nenhum (desafio os que têm opinião contrária a fornecer uma referência). Aliás, isso não foi dito no tal livro, embora todos os comentaristas digam que leram isso.”

Outro texto do Sírio, lamentando a dificuldade dos linguistas de se comunicar com a sociedade:

“O que me consola (ou desconsola de vez) é que, sempre que tive ocasião de dizer a algum físico que invejava sua sorte, porque as notícias sobre o que eles fazem são fiéis, ouvi invariavelmente a mesma resposta sardônica: “você acha isso porque não sabe física”.”

Maria Marta Pereira Scherre (2005), no livro “Doa-se lindos filhotes de poodle: variação linguística, mídia e preconceito”:

“…não devemos perder de vista a possibilidade de podermos contribuir para a codificação de uma norma mais realista, mais interessante, que contemple valores diversos, que reflita um pouco mais a nossa linguística e que restitua aos nossos alunos (ou que pelo menos não retire) o prazer de estudar português, dando vez à pluralidade de normas…

não sou contra a gramática normativa (nenhum lingüista tem essa postura): sou contra, sim, sua veneração cega, que gera necessariamente seu uso equivocado, humilhando o ser humano por meio do que ele tem de mais característico: do dom de dominar a sua língua.” (SCHERRE, 2005, p. 71).

Os grifos são meus, só para esclarecer algumas coisas.

* * *

Mônica Valdvogel entrevista Cristóvão Tezza e Marcelino Freire. Ela tenta gerar polêmica e sua fala só revela o seu profundo desconhecimento do assunto. Ou seja, uma jornalista profissional não é capaz de dar uma opinião melhor fundamentada do que aquela que seu tio dá no jogo de dominó com os amigos. Esse é o padrão Globo de jornalismo, que fala que nosso aluno não entende o que lê… pois olha, 90% dos jornalistas também não entenderam nada do que leram.

Ela fala em “escolha”. Só existe escolha quando há consciência das possibilidades. Se eu falo “assisti o filme” estou seguindo uma regra, diferente daquela forçada e fictícia (ou seja, inventada, decorada) daqueles que falam (e duvido aqui que alguem fale, embora alguns escrevam) “assisti ao filme”. Espero que ela tenha aprendido alguma coisa.