Liberdade, liberdade!

Eu tinha anotado umas ideias pra escrever sobre isso já há algum tempo e fui deixando, deixando… e vou escrever logo antes que a caravana passe, embora eu creia que vá demorar a passar. A Piauí desse mês me soa como um retrato da época em que vivemos, o esgotamento de um modelo de gestão política federal. Talvez a eleição passada fosse mesmo o momento da mudança, mas as alternativas soaram muito piores do que o que estava aí. De qualquer modo, vou falar disso de novo. Por que tem gente que quer voltar a ser governado por militares?

Eu tenho algumas respostas pra isso, hipóteses, digamos. Uma boa parcela da população mais velha tem boas lembranças do período. “Eles não conhecem a história? Não sabem o que acontecia nos porões do DOPS etc.”? Sabem. Claro que sabem. Devo ter dito isso no texto anterior, mas não custa repetir. Quem era preso? Comunistas, sindicalistas e outros arruaceiros. Tinham mais é que tomar bordoada mesmo. É isso o que pensam aqueles que querem a volta de um governo militar, pra colocar ordem nessa bagaça.

Ordem? Pois é. Aqui está a segunda razão. As Forças Armadas são encaradas como um bastião da moralidade: lá não há ladrões, todos são disciplinados e obedecem seus superiores, são organizações bem estruturadas… (clichês, óbvio; em parte verdade, certamente) em suma, não há ladroagem e putaria, coisa que o PT institucionalizou na coisa pública, dizem. Me soa como uma explicação quase psicanalítica. A sociedade não consegue se autoadministrar, precisamos de um irmão mais velho, alguém que nos coloque no lugar, que diga que não devemos sentar com as pernas abertas, tirar tatu do nariz, ou coçar o saco em público. Sinto que falhamos enquanto sociedade, enquanto democracia.

Nesse sentido, notem, a democracia tem a ver com aceitar coisas de que não gostamos. Num governo militar legalizar aborto, consumo de maconha ou casamento homossexual jamais entraria na pauta de discussão da sociedade e do congresso. É nisso também que se apegam. Os que pedem a volta de um regime militar se ancoram nesse passado glorioso onde a família tradicional estava livre disso tudo. Sabemos que não, óbvio. As coisas aconteciam escondido, e é melhor que permaneçam assim.

Podemos culpá-los por pedir isso, diante de tudo que temos visto? A economia viveu momentos gloriosos, o país crescia, tinha emprego, tinha escola (pra quem?), tinha vaga na universidade (pra quem?), a violência era baixa (era mesmo?) e os marginais presos (eram mesmo?).

A liberdade assusta algumas pessoas. Preferem a opressão, a polícia moral. Afinal, a liberdade gerou esse fuzuê todo. O pobre não sabe votar, é manipulado pela militância-lavadora-de-cérebro-propagandista do PT (livre-arbítrio, escolhas, oi?), num regime militar isso não aconteceria, afinal, não teria voto.

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