Uma pequena reflexão sobre as eleições presidenciais

A política é aquele ramo em que as ideologias se chocam com uma clareza espantosa. E basta dar uma passada de olhos nos jornais locais para perceber a posição de cada um.

Há aqueles que não aceitam a derrota “Dilma não teve maioria”. Como assim, meu? Ter obtido 56% dos votos válidos não é maioria? Há outros inconformados que justificam a eleição dela como criação de Lula (como se isso fosse algo menor ou desprezível). Ou seja, ela foi eleita apenas por ser a candidata dele. Claro, pouco importaram os debates, a propaganda, os comícios, as suas ideias, a eleição já estava ganha de saída.

Aí entra em cena outro jogo, que é o das influências. E esse é o barato. Como na terra do Valdir Rossoni (Bituruna, PR) a Dilma conseguiu mais votos que o Serra? Como um estado que tem governador (por sinal eleito nas costas do Aécio Neves, mas aí pode, ele é homem) e senadores do PSDB não conseguir transferir seus votos para o candidato que apoia? Como a militância petista da região não conseguiu que Dilma tivesse votação mais expressiva nas cidades? Aí entra em cena a ideologia.

Digamos que 80% das pessoas já tinham decidido seu voto antes da propaganda começar e 20% estavam indecisos. A propaganda começa, alguns mudam de opinião por um motivo ou outro: acham o Serra arrogante, a Dilma se veste mal e disse que nem Deus tira dela a vitória (e olha que tinha “jornalista” por aí repetindo isso como se fosse verdade), um vai aumentar o salário, a Marina vai cuidar melhor do meio-ambiente, etc. Sem falar nos escândalos e ofensas. No final do segundo turno as duas chapas já tinham partido para o vale-tudo. Refaçamos os cálculos: é bem provável que aqueles 80% que já tinham voto decidido continuaram assim, pelas razões que passo a expor.

Por questões ideológicas: pouca gente tem consciência disso, mas muita gente vota por questão ideológica. Não votar em uma mulher por achar que lugar de mulher é no fogão é ideologia; não votar em mulher por achar que mulher não sabe administrar é ideologia; acreditar que a mudança é saudável é ideologia; defender o direito do patrão sobre o do empregado é ideologia; acreditar em tudo que se lê é ideologia; acreditar piamente em tudo que o padre diz é ideologia… Eu poderia passar o dia enumerando exemplos, o que seria cansativo e chato. Acredito que o leitor já tenha entendido onde quero chegar. Muita gente vota por questão ideológica e pouco importa o que o candidato pensa ou defende, importa que ele pense e defenda aquilo que eu penso e defendo. Assim como há aqueles que não votaram na candidata porque ela é do PT e muita gente detesta o partido, a recíproca é verdadeira: muitos não votaram no Serra porque detestam o PSDB e o PFL e o que eles representam. No final do dia, pouco importa quem privatizou mais, quem criou mais empregos (embora para quem melhorou de vida nos últimos quatros anos isso importe, e muito), ou quem criou mais vagas em universidades federais ou quem foi o partido que controlou a inflação e criou o Real.

Voto de cabresto: parece aquelas coisas que vemos só em livros de história, mas não é. Sinto que ele existe. Há quem tema perder o emprego se não votar no candidato do patrão ou mesmo quem se ache na obrigação de fazer isso. Se duvidar a ameaça é aberta, mas pouco se fala disso, não há imprensa investigativa na cidade e os muitos jornais existentes defendem interesses privados, quando não servem apenas para os colunistas falarem de si mesmos, isso é fato.

Parece-me que a propaganda muda muito pouco a convicção dos eleitores. Embora há uma parcela significativa da população que escolheu seu candidato durante a campanha (uns 30%), é difícil saber. A conclusão me parece ser a de que são esses 30% que se movem gerando a oscilação nas pesquisas. Sem contar as abstenções, gente que viajou por uma razão ou outra, faleceu e o título não foi cancelado, estava doente, etc. Enfim, não sei se consegui defender com clareza a tese que pretendia, mas acho que tenho um bom argumento.

 

Meus 10 motivos para votar na Dilma

1) Continuidade de um programa que vem dando certo: ela representa um programa de governo não a si mesma;

2) Opção ideológica: a chapa de Dilma representa um conjunto de crenças que defendo;

3) A política econômica é bem sucedida: nunca a população teve tanto acesso aos bens de consumo duráveis “It’s the economy, stupid!”; (foi pela mesma razão que o FHC se reelegeu em 1998)

4) A chapa concorrente representa um tipo de gente que me causa náuseas: ouvir os serristas falarem só me dá mais vontade de ver a Dilma presidente, não quero ter um presidente que represente pessoas que preferem a agressão e a calúnia ao debate sério: 80% votarão no Serra simplesmente porque detestam o Lula e o PT, não se preocupam com propostas ou programas de governo;

5) A oportunidade de fazer história: quero ajudar a eleger a primeira mulher presidente;

6) Ela tem personalidade suficiente e não é marionete: por mais que a oposição tente pintá-la como uma construção do Lula e do PT, a história dela na vida pública mostra que ela sempre ocupou cargos importantes e é uma mulher de fibra que não vai servir ao jogo sujo da ala pobre do partido (por mais que eu não concorde com a presença de certos companheiros lá dentro, acredito que o PT e o que ele representa ainda são maiores do que uma meia dúzia de aloprados);

7) A chapa serrista usa e abusa do estratagema 38 de Schopenhauer (Como vencer um debate sem precisar ter razão):

“Quando percebemos que o adversário é superior … nos tornamos pessoalmente ofensivos, insultuosos e grosseiros. O uso das ofensas pessoais consiste em sair do objeto da discussão (já que a partida está perdida) e passar ao contendor, atacando, de uma maneira ou de outra, a sua pessoa.”

Isso só possui uma explicação: como não conseguimos ganhar no debate das propostas, vamos atacar a candidata.

8) A manutenção do debate e do apoio às minorias;

9) Continuidade de investimentos na educação e na valorização do servidor público:  É só ver a expansão das vagas nas universidades federais, o crescimento dos institutos tecnológicos e centros de ensino técnico, ofertas de bolsas de pós-graduação;

10) Investimentos em infra-estrutura: tem o PAC, diante da crise o governo não cortou gastos, o que seria a estratégia natural da ortodoxia. Na crise de 1929 os Estados Unidos se reergueram com investimento maciço do governo em infra-estrutura, gerando emprego e renda, o New Deal, daí veio a Segunda Guerra e gerou mais empregos;

Sem falar que enquanto a propaganda da situação insiste na comparação entre os programas e políticas de governo a oposição insiste nos ataques sistemáticos à Dilma e nas promessas demagógicas: aumento de salário, aumento para aposentados, mais hospitais, mais polícia (desde quando é missão do governo federal criar polícia? isso é se negar a investir nas polícias dos estados, se negar a investir nos batalhões de fronteira, se negar a fazer acordos de cooperação com os países vizinhos no combate ao tráfico).

eu não entendo nada de política (mas vou escrever mesmo assim).

Uma tentativa de resposta ao Rerisson:

1) Uma coisa é uma coisa: no contexto do século XIX era a única forma do proletariado conseguir seus direitos: a revolução. Pessoalmente discordo do que Stalin, Mao e Fidel fizeram ou mesmo Chávez faz. O fato de eu simpatizar com a esquerda não quer dizer que eu seja ortodoxo. Para o PSOL, PSTU e congêneres todo poder é culpado de tudo e só a revolução resolverá os problemas do povo. Os radicais do PT fundaram o PSOL justamente porque o PT se modernizou, e só com essa mudança ideológica o partido chegou ao poder, mesmo que às custas do radicalismo ingênuo. O PSDB era de esquerda na sua fundação, FHC era de esquerda. O movimento para o centro do espectro político foi um caminho natural e saudável.

3) A controvérsia é saudável. A política seria um saco se todos dissessem amém ao que diz a direção de um partido. Discordo de algumas posturas da Dilma e do Lula, mas aquilo em que acredito é maior do que eles. Eles são representantes, apenas, não donos de minhas crenças políticas. O que me une a eles é o que o partido representa, muito mais do que as opiniões pessoais que eles ou Zé Dirceu possuam. Mas no final das contas a maioria vence, mesmo que isso não nos agrade, temos que aceitar.

4) Você tem razão. Tanto é assim que o Ciro Gomes, que já criticou o PT e o PMDB está do lado de Dilma no segundo turno (por que será?). É claro que uma parte considerável de nossos políticos se debandeia para onde está o poder, tirando a extrema direita (DEM) e a extrema esquerda (PSTU, PSOL).

5) Sim, é mentira. Não, o PT não tem passado leis de censura. Regular a atividade é uma coisa, censurar é outra. Quanto ao aparelhamento do estado isso não significa nada. Qualquer partido que entre vai aparelhar os órgãos públicos com correligionários, isso é fato.

6) Não é discurso petista chamar a imprensa de mídia. A ‘mídia’ envolve todos os meios de comunicação. Tá, ele queria expulsar o jornalista: e conseguiu? “Queria passar por cima do congresso”, passou? vivemos em uma democracia saudável. Claro que me preocupo com certos arroubos autoritários, de quem quer que seja. Tudo isso está baseado em duas premissas equivocadas: a mídia presta um serviço de utilidade pública e deve informar os fatos com objetividade. A mídia, como qualquer empresa, só tem compromisso com o lucro. Segundo, a objetividade é uma ilusão (olha que eu sou racionalista e detesto os relativismos a la Derrida ou a la Análise de Discurso francesa). Nossa visão dos fatos é sempre atravessada pela ideologia, não há como escapar disso.

7) A Dilma não é contraditória sobre isso. Ser a favor da descriminalização não é ser a favor da matança de criancinhas. As coisas são diferentes. O problema é de saúde pública e não uma questão religiosa como tem sido vendida. Não acho nem que o tema deveria estar sendo discutido na campanha porque isso não é de competência do executivo, quem trouxe o tema à baila foi o PSDB para agredir a Dilma.

9) Ninguém diz que quem é contra o aborto está do lado errado. Também sou contra, não acho que uma mulher que engravidou por inconsequência ou irresponsabilidade possa simplesmente ir ao próximo posto de saúde e pedir um aborto. Só acho errado discutir uma questão de saúde pública do ponto de vista da religião, para quem usar camisinha é errado. O ódio aos pobres está misturado no seu raciocínio, não entendi o que ele faz ali.

10) Também sou contra o Bolsa-família sem contrapartida: no final vira paternalismo. O controle deve ser rígido, só que isso é de responsabilidade das prefeituras e creio que cabe ao legislativo regular isso. Lula acusava a bolsa do FHC, agora a chapa de Serra critica a bolsa do Lula. Faz parte do debate.

11) Você está equivocado. O PNDH 3 (o 1 e o 2 foram feitos no governo FHC) é um programa de governo (não do partido). A igreja critica a descriminalização do aborto, o casamento gay e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, coisas previstas no PNDH3. A igreja tem todo o direito de ser contra isso. Quem decidirá é o congresso nacional, não o presidente. Quanto à proposta de censura de imprensa isso é a leitura do Reinaldo Azevedo. Esse programa, PNDH, foi desenvolvido baseado num tratado que o Brasil assinou no ano de 1993, em Viena. Não vou me dar o trabalho de ler o negócio todo agora, mas seria no mínimo contraditório um documento que defende a abertura dos arquivos das forças armadas ao mesmo tempo censurar a imprensa (ou a mídia, o que preferir).

12) A Folha é tão democrática que conseguiu tirar do ar um site que fazia piada com suas notícias, além de ter demitido uma jornalista porque não concordaram com o que ela escreveu.

13) Acho que já respondi acima: não existe imparcialidade. Exigir parcialidade é um equívoco. Não estou dizendo que noticiar escândalos seja errado, em nenhum momento disse isso. O presidente tem todo direito de não gostar, se eu fizesse algo errado, e publicassem também não gostaria de ler sobre.

14) Foi um elogio genério, não vou procurar a edição pra te mostrar.

15) Sabatina leve? fala sério, então vimos programas diferentes. O Bonner só faltava babar enquanto falava com a Dilma. Novamente, aqui nossas ideologias vão interpretar as coisas de forma diferente, não há como chegar a lugar algum.

16) Veja a veja. Objetividade? me embrulha o estômago a forma como as coisas são escritas na Veja, Reinaldo Azevedo e o Mainardi nutrem um ódio pelo PT e pelo Lula que dá nojo. A crítica é saudável, quando feita com bom senso e respeito. E na boa, se você acha que reportagem sobre a roupa da Dilma “vestida para mandar” (olha o trocadilho) é seriedade e objetividade …

17) Bom, se o IBOPE tem problemas com regulamentação de pesquisa eleitoral aí estamos fritos, não podemos confiar em mais ninguém. Não é o Ibope que diz que o presidente tem a popularidade alta? Vai ver só perguntaram aos petistas.

18) Aqui eu concordo. Lula teve todo o tempo do mundo para estudar. De 1990 a 2002 não exerceu cargo algum. O sucesso dele só veio depois de ter assumido o governo, daí que seu raciocínio não tem segue. Ele é sim um pobre que venceu por esforço e trabalho. Muitos pobres venceram pelo trabalho e esforço sem terem estudado. Não acho que ele seja exemplo para nada. É só um líder nato, com uma inteligência política incrível. Um cidadão comum que chegou ao poder. Todo mundo defende que estudar é bom e é importante, aí é escolha da pessoa estudar ou não. Ele escolheu não estudar. Nos anos 70 um cursinho técnico era o máximo que um estudante pobre iria alcançar e já era grande coisa pra época.

Esquerda e direita

Política é aquele tipo de tema que mesmo aqueles que não gostam têm uma opinião sobre. Demorei para escrever por uma série de razões, mas a principal é que estou estudando para um concurso. Mas não resisti hoje e resolvi falar sobre isso, já que as eleições são no domingo. Há duas coisas que eu gostaria de falar: as noções de ‘esquerda’ e ‘direita’ e o papel da mídia no debate.

Apesar do que alguns dizem, depois da queda do muro de Berlim não caiu junto o comunismo e as ideologias não morreram. Cuba e China estão aí firmes e fortes. Claro, Marx não tem culpa do que fizeram com suas ideias. Mas, apesar de serem opiniões válidas, 99% dos seres pensantes acham as opiniões do Plínio de Arruda Sampaio no mínimo estranhas. Em pleno século XXI ninguém mais acredita na revolução do proletariado, afinal, todo mundo sabe que o proletariado quer virar burguesia. E todo mundo sabe que tirar a ditadura do capital para colocar no lugar a ditadura do povo também não funciona, pois tais regimes se mostraram mais opressores e cruéis do que os de direita (vide Mao e Stalin, embora não esqueçamos que as ditaduras de direita na américa latina fizeram alguns estragos sérios). Felizmente são outros tempos e acho no mínimo irresponsabilidade da mídia nacional propagar aos sete ventos que o PT está dando um golpe (via eleições, mas mesmo assim, tem um projeto maquiavélico de ‘tomar o estado de assalto’, como diria o Jabor) para se perpetuar no poder e silenciar a mídia de oposição. Creio que grande parte da militância que apóia o presidente Lula e a candidatura da Dilma discorda das últimas falas do presidente. Não que ele esteja errado (gostaria sim que o  DEM sumisse, seria um serviço à política nacional, embora a extinção de uma legenda só ocasionaria a mudança dos seus correligionários para outra legenda igualmente vazia de propostas, mas idelogicamente similar como o PSDB ou o PSC), o grave é um presidente assumir o papel de cabo eleitoral tão abertamente: nunca antes na história do país tivemos um presidente assim. Não vou criticar as críticas ao presidente: ele não lê, não estudou porque não quis, fala errado etc. Na boa, converse com qualquer cidadão médio e ele falará as mesmas coisas. Você, intelectual ou jornalista pode até não concordar com isso e dizer que ler e estudar é importante, mas você não pode fazer nada se o cara não tiver o mínimo interesse em ter um diploma universitário. Lula é um cidadão comum que chegou ao poder, apenas isso. E nós deveríamos nos orgulhar disso. Bush tinha um diploma e os americanos sãos se envergonham dele amargamente: ter um diploma não evitou que ele fizesse e dissesse coisas estúpidas. Na contabilidade das bobagens ditas e das realizações positivas, Lula ainda está no lucro.

Sinceramente, não sei de onde saiu essa lenda de que o governo quer censurar a mídia. Se a mídia é o 4° poder, duvido muito (mesmo!) que voltemos a ter censura no país. Acho que o equívoco está no pressuposto de que os meios de comunicação tenham que prestar algum tipo de serviço público. Não tem, em absoluto. Sim, o governo de alguma forma tem que regular o rádio e a televisão, embora poucos digam que as concessões de rádio e televisão no interior do país estão nas mãos dos políticos, não por acaso, de direita. Só pra finalizar esse ponto, pra quem não acha que as ideologias ainda existam é só olhar a candidatura de alguns deputados por aí: slogans vazios na prática, mas ideologicamente recheados abundam por aí: “pela família”, “para defender as tradições”. Tem até um que fica usando o fato de que alguns candidatos de esquerda são a favor do casamento gay e do aborto (em alguns casos, claro) como proposta: “eu votarei no congresso a favor da família brasileira”. Faça-me o favor, como se os abortos vão deixar de acontecer ou os homossexuais fossem parar de se relacionar porque não há uma lei que legitime a união civil deles. Os militantes de direita intelectualizados podem ser até a favor do aborto e do casamento homossexual. Só que acho que vocês estão do lado errado do espectro político, porque 98% dos seus correligionários não pensa assim, bem como pensam que o Bolsa Família, que o PSDB se orgulha de ter criado é esquema de compra de votos. Se o PSDB não tem culpa dos seus militantes dizerem essas coisas, por que a Dilma tem culpa de que alguns aloprados do PT acharem que a liberdade de imprensa tem que ser restrita?

Não cabe aqui debater quem está com a ‘verdade’, porque a verdade sempre está com quem se julga o dono dela. Aqui em União da Vitória (PR) tem um jornal cujo lema é “professa a verdade”, no mínimo rizível ou fora de propósito. O que a Globo faz está longe de ser um jornalismo sério e comprometido com a verdade ou a imparcialidade, ou vai dizer que a sabatina com os candidatos no começo da campanha foi imparcial? Ou vão me dizer que Veja e Época são imparciais? Claro, elas têm todo o direito de não o ser, ninguém contesta isso. Louvável pelo menos a atitude da Folha e do Estado de São Paulo, que se proclamaram serristas, como se a gente não soubesse. Pelo menos, e os ingênuos que ainda acreditam em imparcialidade, leremos esses jornais sabendo que puxarão a brasa para sua sardinha e repercutirão o que querem repercutir. Na boa, publicar notícias apenas de um candidato não pode ser considerado imparcialidade, muito menos atacar sistematicamente a situação com capas apocalípticas durante a campanha, ou elogiar um camarada que todos sabem que é culpado (a Veja elogiou o Roriz em uma edição qualquer aí algum tempo atrás). Novamente, o presidente se equivocou e exagerou na sua crítica, embora seja natural a sua reação, ninguém gosta de ser perseguido. Embora há várias pessoas dizendo que o PT tem um projeto anti-democrático, aqui no Paraná, quem insistentemente tem ida à justiça impugnar pesquisas é o candidato do PSDB. Embora em SP Alckim acuse o PT de ser violento, aqui na selva são os militantes de esquerda que são intimidados pelos militantes da direita, afinal por aqui a situação é PSDB: prefeito PSDB, os dois candidatos a deputado estadual são PSDB e o candidato a federal, embora do PR, apóia os candidatos do PSDB (pior pra ele, perdeu o meu voto), e em cada esquina do centro tem uma bandeira do PSDB. Por aqui as pessoas tem medo de dizer que votam no PT com medo de perder o emprego. A realidade é mais selvagem do que o escritório perfumado com Bom Ar de onde Reinaldo Azevedo e o Diogo Mainardi escrevem seus textos.