Alguns programas

Dois programas interessantíssimos. O primeiro é uma entrevista com José Luiz Fiorin. O segundo é o programa Observatório da Imprensa. Esse programa semanal sempre traz a discussão de temas atuais com convidados interessantes e que sabem do que estão falando, embora, modestamente, eu não acho que o Deonísio saiba do que está falando. Participam também do debate o prof. Sérgio Nogueira e o prof. Marcos Bagno, da UnB.

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Mais alguns especialistas

Arnaldo Jabor na CBN – Ministério da Educação deveria virar o da Burrice Instituída

Clóvis Rossi – Inguinorança

Alexandre Garcia – Bom Dia Brasil

Sérgio Nogueira – Livro aprovado pelo MEC é uma inversão de valores

Esse Ségio Nogueira, especialista em soletração, deveria ser consultor do MEC, tal a sabedoria do professor.

“O que me irrita mais nessa história é que se fala tanto em preconceito e discriminação, mas acho que a discriminação maior é acreditar que a criança é incapaz de aprender plural e concordar verbo com sujeito. O ‘Soletrando’ [quadro do ‘Caldeirão do Huck’] está provando isso. Crianças são capazes de aprender questões ortográficas mais complexas.”

Na boa Sérgio Nogueira, qual será que era o objetivo da autora do livro ao apresentar as possibilidades de concordância nominal e verbal? Ensinar as declinações latinas? Acho que não. Ele diz ainda:

“Na opinião do professor, a língua portuguesa estaria ameaçada. “É diferente de respeitar as variações regionais e sociais não respeitar os padrões nacionais, não conhecer uma língua geral. Temos que ter uma linguagem que atinja do norte ao sul.”” Sério, Sérgio? É como se ele estivesse dizendo, “os padres precisam ensinar os 10 mandamentos na catequese, senão vão destruir a religião católica”. Qualquer aluno do primeiro ano do curso de letras sabe isso, isso é lugar comum. Agora, explica pra gente que ameaça é essa? Há duzentos anos tem gente falando que a língua está ameaçada, e até agora ela continua vivinha da silva.

Novamente, todos os linguistas estão errados. É o que diz o Sergio Nogueira, é o fim da gramática, culpa da linguística moderna. Adoro esse tipo de coisa, eles tem medo que as gramáticas acabem e eles percam o emprego. Por isso ninguém repercute a gramática do Perini, do Ataliba, a do português europeru organizada pela Maria Helena Mira Mateus, a Gramática de Usos da Moura Neves, as gramáticas lançadas pelo projeto NURC. O gênio, e todos os outros gênios da educação brasileira que têm comentado o fato, simplesmente se recusam a ver que o objetivo do livro é justamente ensinar o padrão, partindo do que a criança sabe. O que eles têm feito é desinformar a sociedade, fazendo uma análise superficial, quando não enganosa do livro e do que os parâmetros propõem. No mínimo, isso é estelionato. Vendem informação como se fosse a fonte da verdade, quando estão enganando a população.

Eles sim são os especialistas. Nós que escrevemos teses, artigos, formamos professores, lemos toneladas de livros para dizer o que dizemos estamos todos errados. Eles podem afirmar o que quiserem, baseados no senso-comum, no opinionismo puro e simples, em uma lógica que só eles entendem. Os especialistas não somos nós, os linguistas. Os especialistas são a ABL (autora de um acordo ortográfico cuja lógica só ela e seus consutores entendem), os escritores, os pedagogos (tão competentes que mal conseguem alfabetizar e se recusam a ler o que os linguistas escrevem sobre a alfabetização, como se a Emília Ferreiro tivesse dito tudo sobre alfabetização), são eles que formam professores de português, foram eles que escreveram os parâmetros curriculares nacionais e todas as ideias nas quais eles se baseiam.

Felizmente resta uma esperança, Hélio Schwartsman publicou artigo defendendo o livro.

Por que a Globo não chama o Ataliba de Castilho? A Maria M. Pereira Scherre? Algum representante da ABRALIN (Associação Brasileira de Linguística) ou da ALAB (Associação de Linguística Aplicada do Brasil)?