Kieslowski e Zizêk

“Kieslowski advocates neither the moralistic dismissal of life on behalf of the mission nor the cheap wisdom of advocating simple life against mission; he is fully aware of the mission’s limitation. Exemplary here is The Scar (1976), the story of an honest Communist cadre who, as a director, comes to a small provincial town to construct a new chemical factory. He wants to make local people happier, bring progress; however, the factory not only causes environmental problems and undermines traditional ways of life, it also conflicts with the short-term interests of the townspeople. Disillusioned, he gives up his post… The problem here is that of the good – who knows what is good for others, who can impose his good on others? This inconsistency of different forms of good is the topic of the film: although the director succeeds socially (the factory is built), he is aware that he has failed ethically. We see here why Freud was sceptical towards the ethical motto ‘Do to others only what you would like them to do to you.’ The problem with it is not that it is too idealistic, overestimating the ethical capacity of man; Freud’s point is rather that, if one takes into account the basic perversion of human desire, then the very application of this motto leads to strange results – one certainly wouldn’t like a masochist to follow this precept.”.” Slavoj Zizèk ‘The frigth of real tears’ (2001)

_ -_

Como disse no post anterior, é uma pena que o público seja pequeno nos cineclubes da cidade. Mas ao mesmo tempo entendo que é complicado educar o gosto do povo e exigir público numa segunda-feira à noite também seja difícil. Gosto muito do pensamento do Zizek e o pouco que sei sobre Lacan aprendi lendo “How do read Lacan”. Recomendo “Guia do pervertido do cinema”, um documentário que Zizek fez para uma rede de televisão, no qual analisa alguns filmes clássicos sob um olhar psicanalítico.

Cineclubes

Hoje participo como convidado do Cine Sesc em União da Vitória. O Cine Sesc apresentará durante essa semana filmes de Krysztoff Kieslowski (confira a programação aqui) e vou comentar “A Cicatriz” (1976). O diretor é mais conhecido pela trilogia das cores: A liberdade é azul (1993), A igualdade é branca (1994), e A fraternidade é vermelha (1994). Ainda não sei muito bem como vou comentar o filme. Há alguns pontos sugeridos e vou me ater neles: o indivíduo e um estado opressor; o público vs. o privado; o coletivo e o individual; etc. Há várias dicotomias interessantes no filme e que podem ser exploradas. Apesar da câmera com feição documental não creio que o filme seja um retrato de uma realidade. É um documento de um período importante da história da Polônia e da URSS. Tem várias cenas em que vemos Bednarz pensativo. Muitas coisas o incomodam e ele não sabe lidar bem com nenhuma delas: os problemas da fábrica, funcionários insubordinados, a população que reclama o tempo todo, sua mulher, sua filha, os superiores lhe cobrando, etc. A opressão do estado é sutil, mas presente o tempo todo na figura do seu assistente, que parece querer controlar cada passo seu e dos jornalistas que visitam a fábrica.

É uma pena que o Cine Sesc seja durante a semana (ou é uma pena eu ter aulas todas as noites?), o que reduz sobremaneira o público participante (universitários que estudam nesse horário). Já é alguma coisa ter um cineclube desse porte aqui. Os caras passaram filmes do John Casavettes em fevereiro e eu nem soube!

No sábado (14/05) o Cineclube Urtiga apresenta “Cabra marcado pra morrer” (Eduardo Coutinho, 1984). Além de contar a história do líder camponês João Pedro Teixeira, assassinado em 1962, o filme resgata a sua própria história, que foi interrompida pelo golpe militar em 1964. O filme teve que parar de ser rodado e o diretor só pode voltar ao local 20 anos depois.