O playboy e a diarista que anda de Nissan

Fui ler o Rodrigo Constantino. Num desses desatinos de professor que procura textos por aí pra levar alguma coisa diferente pra ler na aula. No seu blog, caí num texto em que ele mostrava como o sistema americano de relação patrão-empregado é melhor que o brasileiro e relatava a sua experiência ao contratar uma diarista em Miami. Lá as diaristas andam de picape Nissan e negociam o preço do trabalho diretamente com o empregador. Não existe essa coisa de sindicato, de direitos trabalhistas. O mercado se autorregula, diz ele.

Ele sabe que o mercado sempre se autorregulou no Brasil, eu suponho. Que diaristas e domésticas nunca tiveram direitos trabalhistas, uma conquista recente. E que mesmo depois disso, diarista de fato, aquela que vem na casa do sujeito, digamos, uma vez por semana, ou a cada quinze dias, continua não tendo direitos. Não sou obrigado a pagar FGTS, assinar carteira, e o escambal pra diarista que vem aqui em casa de vez em quando.

Se era tão bom um sistema sem direitos trabalhistas, por que nunca vi diaristas vindo ao trabalho com carrões? Uma diarista ganha em média R$120 por dia, na semana, R$600, no mês, R$2.400. É mais que muito salário inicial na carreira de professor por esse país afora. Mas eu pergunto, que diarista de fato consegue fazer essa grana por mês? Eu duvido que ele encontre uma.

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