Um homem pode ser feminista?

Em resposta à pergunta título vocês poderiam me dizer enfaticamente “claro, loco véio, por que não?”. Eu diria que sim também. Agora, levantar bandeiras, pautar o movimento, já é outra conversa…

Toda vez que escuto ou leio algum homem dizer que feministas são exageradas, que fazem muito barulho por pouca coisa, que querem castrar os homens e toda essa balela, eu entendo a justificativa do movimento. É como ouvir o David Coimbra fazendo uma baita ginástica pra defender as opiniões que ele tem contra o feminismo. Como é que ele não percebe que o movimento todo se justifica quando um homem toma como prerrogativa dizer como as mulheres devem agir e se sentir em relação às coisas? Se eu fosse ele ficava quieto. Acho que ele até sabe disso (ou não? tem camarada que é cego mesmo), ou defende certas ideias por uma questão de princípios, mesmo sabendo que elas estão equivocadas.

Isso se liga com outros paradoxos de luta das minorias. Sou branco, hétero, de classe média (embora tenha sido criado em família humilde, nunca tivemos videocassete, CD-player, nem íamos pra praia no verão), e nem por isso deixo de simpatizar com as lutas dos negros, homossexuais, índios, sem-terra, sindicalistas etc. O paradoxo é o seguinte: até que ponto alguém como eu tem algum tipo de conhecimento para falar sobre a luta dessas pessoas? Talvez nenhum, pois não tenho conhecimento de causa. Senti na pele apenas os perrengues que meus pais passaram pra sustentar eu e meus irmãos vivendo como assalariados na iniciativa privada. Claro, lendo textos em blogues e jornais por essa internet de deus (ou do diabo) a gente vai aprendendo umas coisinhas aqui e outras ali. Por isso sou simpático às lutas desse povo todo.

Um exemplo pode ilustrar melhor o que eu quero dizer. O Danilo Gentili fez fama com suas piadas ofensivas. É a marca dele. Agora, até que ponto ele pode ficar puto quando alguém levanta o dedo e diz “ei, meu, isso é ofensivo!”? Quem é ele pra dizer com o que um negro ou uma mulher pode se ofender? O problema se complica se pensarmos que a liberdade de expressão é um valor que queremos cultivar. Não queremos dizer às pessoas como elas devem pensar, o que elas podem ou devem falar. Essa é uma atitude de regimes autoritários (comunistas ou capitalistas, todos os regimes autoritários na história humana usaram da censura). Ora, se não queremos ser autoritários, como deixar que as pessoas falem o que quiserem? Pois eu acho que elas podem falar o que quiserem, tanto é que falam. Mas precisam arcar com as consequências. A propaganda da Skol foi julgada ofensiva, por tratar o abuso sexual como algo divertido e corriqueiro no carnaval. Se a empresa julgou melhor retirá-la das ruas, foi justamente por entender que nossa sociedade, pelo menos uma parcela significativa dela, não tolera mais esse tipo de discurso que legitima práticas não mais aceitáveis.

Vivemos a ditadura do politicamente correto! Bradam diversas vozes por esse país afora.

Teu cu, burro! É que as pessoas cansaram de ouvir caladas e de fingir que gostavam das piadas imbecis que são contadas desde que nos entendemos por gente. Tá, talvez não seja tão simples assim. Mas é por aí, eu acho.

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