A inflação subiu e outras ideias de girico

É só eu ou vocês também têm a impressão de que a expressão “inflação subiu” é pleonasmo? Segundo o Aurélio, ‘inflação’ significa ‘aumento geral de preços’. Me parece aquela coisa, que de tão generalizada, nem se nota mais, como comer uma comida, dançar uma dança etc. Afinal, inflação é subida de preços, logo, fico com a impressão de que se está falando da subida da subida de preços. Não sou daqueles chatos que acha que sentar na mesa significa sentar sobre a mesa, e que o certo é sentar à mesa aí sim significando tomar um lugar na mesa (de preferência em uma cadeira). Repare que o problema é outro, é de redundância, como erro ortográfico já generalizado que ninguém mais nota isso como erro (provavelmente só as gramáticas antigas devem condenar esse uso).

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A imprensa reclama da burocracia. Daí acontece um problema com o transporte do leite, advinha qual é a solução que a imprensa sugere? Mais burocracia, falta fiscalização, falta papel, falta carimbo, falta estado. Daí essa mesma imprensa discute a burocracia como se ela fosse uma entidade criada por políticos maus querendo comer o dinheiro do povo. A sociedade não percebe que a burocracia nasce das próprias demandas da sociedade, das demandas de indivíduos, que como eu e você, todos os dias constroem e fazem parte do “sistema”. O “sistema”, apesar de me causar a impressão de ser uma espécie de “fantasma” foi criado e é alimentado por indivíduos, aparentemente, as pessoas gostam de burocracia (ao contrário do que e imprensa diz); outra hipótese: a burocracia é uma invenção dos aparelhos estatais para justificarem a sua existência. Veja, não condeno a burocracia em si, me interessa entender essa necessidade que o brasileiro tem de carimbo, de papel, de estado. Disse o Lula que as manifestações de junho mostrarem que o povo quer mais estado. Qualquer pensador de direita deve ter se remexido na cadeira ao ler isso. Como assim, cara pálida? Acho a interpretação do ex-presidente legítima. As pessoas saíram às ruas, primeiro em função do aumento das tarifas de transporte coletivo, e depois isso foi ofuscado por uma barafunda de interesses. Talvez o sonho da direita fosse um estado-mínimo administrativo. Prefeitos, governadores e presidente como meros gerentes da coisa pública (gerenciando os serviços terceirizados, óbvio). Mas tenho certeza de que não é isso que o brasileiro médio quer. O brasileiro médio quer virar funcionário público, entrar para a máquina burocrática. Acabar com a burocracia, acabar com os vários níveis de tribunais e instâncias e repartições é acabar com uma gama muito grande de empregos.

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