Escreva, Luisandro, escreva

Matei o outro blogue que eu havia criado, o “um conto por semana”. Fi-lo com o objetivo de disciplinar a minha escrita, pelo menos no sentido de escrever com regularidade, e se for diariamente, melhor.

Acabei de ler o “A preparação do romance, vol. II” de R. Barthes. Li, ainda o estou deglutindo, e provavelmente voltarei a ele em algum momento, porque não fiz anotações. Simplesmente fui “devorando” o livro. A ideia toda desse volume e do anterior é a proposta da escrita de um romance, e a partir disso Barthes se propõe a comentar o que os escritores dizem sobre essa tarefa. Muita gente quer escrever, mas poucos conseguem levar a cabo o trabalho. O que há de especial naqueles que conseguem. Eu diria que além de talento, é a disciplina. Como o jogador de futebol que se acha bom de bola e não treina. Talvez ele seja um best-seller (daqueles de encher estádio), mas não vai entrar pra história como gênio, certamente. Para o escritor, a disciplina envolve a dedicação, o pensamento focado, e por vezes a abnegação, deixar de lado as coisas mundanas (o trato com as coisas do cotidiano) a favor da literatura. Ele cita Kafka, Flaubert, Balzac, entre outros, que quando não estavam escrevendo, só sabiam pensar nisso, como uma espécie de obsessão. O que pra mim só revela esse mágica que há por detrás da escrita literária, o sujeito se apaixonar por um personagem e querer investigá-lo. Pelo menos é o que eu tenho em mente enquanto escrevo. Alguns querem imitar Joyce ou Guimarães Rosa. Eu prefiro imitar Machado, embora o texto, a palavra seja importante pra mim também, embora só depois que comecei a oficina do Assis Brasil eu tenha começado a ser mais cuidadoso com o texto.

Enfim, o fato é que consegui escrever uma novela de 137 páginas, e uma coletânea de contos de 90 em seis meses, e acho que vou juntar mais 100 páginas de contos até o final do ano, ao mesmo tempo em que estou planejando uma novela que pretendo escrever no mês de janeiro do próximo ano. Além disso, no primeiro semestre, traduzi umas 200 páginas. Cento e poucas delas do Science of Language, uma entrevista que o James McGilvray fez com Noam Chomsky sobre vários temas ligados a linguagem e neurociência, que vai sair pela editora da UNESP – a tradução é em conjunto com meus colegas de UFRGS, Gabriel Othero e Sérgio Menuzzi. Ou seja, acho que escrevi um bocado esse ano (até agora, pelo menos).

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