Chega de prestar concurso

Sei que o blogue ficou meio de lado no último mês e pretendo voltar à velha rotina durante o mês de julho. Muitas mudanças no mês passado, junho, mudança de casa, de cidade, de instituição, e as adaptações necessárias a essa nova realidade. Gosto de desafios, e se estou aqui hoje é porque sempre corri atrás dos meus objetivos. Não esperava estar em uma universidade federal antes dos 35 anos, o que felizmente aconteceu, faço 31 dia 16 de julho.

Prestar um concurso público é sempre complicado e para professor adjunto é ainda mais. São várias etapas que precisam ser cumpridas e é importante se sair bem em todas. Quem passa em 1. é sempre aquele que consegue se sair bem em todos os quesitos: prova teórica e didática, entrevista/defesa de projeto e/ou produção intelectual e currículo. Claro, o componente da sorte, ou do acaso, não é negligenciável. Sortear um ponto que você domina com mais segurança é fundamental, embora quem se arrisca a prestar um concurso desse nível (em geral requere-se  doutorado) deve estar preparado para escrever ou dar uma aula sobre qualquer um dos temas propostos pela banca.

Ao longo dos últimos três anos prestei uma série de concursos. Na Unioeste (Cascavel, PR) em 2009, fiquei em terceiro porque fui muito mal na prova didática, mesmo tendo ido bem na prova escrita, posteriormente percebi os erros que havia cometido na organização didática da aula; na FURG (Rio Grande, RS), também em 2009, não fui aprovado na prova escrita, não havia me preparado bem e os pontos eram na sua maioria sobre texto, área em que possuo apenas um conhecimento básico; ainda em 2009 prestei o concurso da UFFS (Chapecó, SC), universidade que estava sendo criada naquele momento. Havia um batalhão de inscritos e a prova foi objetiva, mal estudei pro concurso e por muito pouco não passei para a prova didática. Não entendi porque recebi uma nota tão baixa na dissertação, mesmo tendo ido bem na prova objetiva, mas enfim, vai ver que foi para o melhor.

Eu estava concluindo o meu doutorado naqueles idos de 2009, portanto não pude me dedicar como deveria aos concursos. O que é só uma justificativa para o meu despreparo e incompetência naquele momento. Prestei uma seleção naquele final de ano, para professor substituto na UFSC, fiquei em terceiro, o que novamente contribuiu para que tudo desse certo. Em fevereiro de 2010 prestei teste seletivo na FAFIUV, e fiquei em segundo, novamente um fato bom, já conto porque. Aconteceu que eu defendi minha tese no dia 1. de março de 2010, no mesmo dia a UFSC me liga oferecendo aulas como substituto, fruto daquela seleção em que eu havia ficado em terceiro (os dois primeiros colocados daquela seleção passaram no concurso da UFFS e foram chamados). Como eu estava preocupado com o meu futuro depois da defesa do doutorado eu pedi bolsa de pós-doutorado júnior no CNPq e na Fapesp, para passar um ano na USP. Consegui a bolsa pelo CNPq, mas abdiquei dela para lecionar, o que se revelou uma decisão acertada, já que a experiência foi fundamental depois. Durante o primeiro semestre desse ano fiquei na UFSC, lecionei Morfologia e Produção Textual. No começo de julho me ligam da FAFIUV me oferecendo aulas, em função daquela seleção de que participei em fevereiro. Fui, pois estaria na minha cidade, União da Vitória, perto da namorada, da família e dos amigos, além da certeza de que pelo menos nos próximos dois anos eu estaria empregado, poderia trabalhar no curso de letras e ainda havia a possibilidade da instituição abrir concurso. Ainda no primeiro semestre de 2010 eu prestei concurso na UFPR. Fui um concurso bastante cansativo e disputado. Fiz uma boa prova escrita, fui bem na entrevista, e não tive sorte na prova didática. Sorteei um ponto de fonologia, e essa é também uma área que domino apenas o básico. Dei uma aula nota 7 e uns trocos, e no final das contas fiquei em terceiro, porque empatei na média geral com uma candidata, que tinha ido melhor na prova escrita, e esse era o primeiro critério de desempate. Essa experiência foi importante, pois dali tirei lições que me ajudaram nos concursos seguintes, principalmente, estudar mais os temas que eu não dominava com profundidade, entre eles fonética e fonologia.

Sai o edital do concurso da FAFIUV em meados de agosto de 2010. Prestei o concurso e fui bem em todas as etapas, mesmo tendo pouca experiência de sala de aula, e fiquei em primeiro. Sorteei novamente fonologia na prova didática, e dessa vez eu fui bem. Foi uma sensação boa, e finalmente a segurança. Em junho de 2011 sai o edital convocando para os exames médicos. E a nomeação? Nada, já estávamos no final de 2011 e eu ainda não havia sido nomeado, ninguém que prestou aquele concurso havia. Surge o edital da UFRGS, e bastante específico, em sintaxe e semântica, minhas áreas de especialidade. Pensei bastante, eu estava feliz na FAFIUV, mas estava de saco cheio com o descaso do governo do Paraná com a faculdade, a falta de recursos, o eterno bla-bla-blá, do discurso do ‘já foi pior’, e a contra-gosto da minha esposa, nesse meio tempo eu casei no civil, em julho. Vai que você passa? Ela me dizia. E estranhamente eu sentia a sensação de que eu iria passar.

Quando surge o edital com a homologação das inscrições, dos 16 nomes inscritos vejo vários nomes de talentosos jovens linguistas da minha geração e isso me deixou preocupado. Será que valeria a pena despender tempo, dinheiro e esforço para prestar um concurso que seria certamente disputado e com pessoas que eu julgava que tinham mais chances que eu? Conversando com amigos todos me disseram que eu deveria prestar o concurso, pois eu tinha chance. Desta vez foquei nos temas em que eu pouco tinha familiaridade, comprei vários livros, li artigos, formulei textos para os pontos. Pouco ou quase nada li dos pontos da minha área, embora eu tenha preparado material para dar uma aula sobre o assunto, ou escrever um ensaio sobre qualquer tema que fosse. Aconteceu que dos 16 inscritos 10 apareceram, dos candidatos que eu conhecia e que julgava serem bons concorrentes  alguns não apareceram. Fui muito bem na prova escrita, fui bem também na apresentação do projeto e sorteei um tema para a prova didática que não era da minha especialidade, sintaxe funcional. No final das contas, ninguém sorteou o tema da sua especialidade, o que foi uma coisa boa. E esse tema foi justamente a área que eu mais tinha estudado. Na contagem das notas finais fiquei com a melhor média, embora na nota do currículo o meu era o 3, o que me deixou frustrado naquele instante, mas depois que as notas foram sendo abertas vi que a minha média era a mais alta. Ter sido o melhor na prova escrita foi fundamental. Acontece que justamente uma semana antes do concurso, que iria acontecer no dia 13 de março, é publicado o edital do estado nomeando os aprovados no concurso de 2010. Claro que assinei a nomeação. E assim estava eu, aprovado em dois concursos, nomeado em um. No final do concurso me disseram que provavelmente eu seria chamado para começar em agosto. Fui surpreendido com a nomeação no dia 31 de maio, em plena lua de mel. Eu havia casado no religioso no dia 28 de maio. Eu tinha 30 dias para tomar posse. E isso envolvia fazer uma série de exames, vir a Porto Alegre para passar pela junta médica e tomar posse, além de encerrar minhas atividades na FAFIUV, com o semestre andando, bem como assumir, por outro lado, turmas com o semestre já no seu final aqui na UFRGS. Foi um mês bem extenuante.

No próximo post volto a falar de linguagem, prometo.

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