Ouçamos os especialistas

O Blog do Noblat é sempre prodigioso em achar essas pérolas do pensamento nacional: Ateneia Feijó, jornalista, ataca também de consultora pedagógica nas horas vagas. A linguística, essa deve ficar na universidade, devemos continuar enganando nossos alunos, como fazem as gramáticas portuguesas há 500 anos. Diz a jornalista:

“Aprovado pelo MEC, o livro didático “Por uma vida melhor”, da coleção “Viver, aprender”, caiu na boca do povo. O motivo? A autora Heloisa Ramos considera correto se falar e escrever sem regras gramaticais. Imaginei que o tema seria um prato cheio em conversas apenas entre mestres e professores obedientes à norma culta.” Rá, como se fosse possível falar ou escrever sem seguir alguma regra.

Sinceramente, dona Ateneia, melhor mudar de profissão, talvez a senhora entenda mais de pedagogia do ensino de língua do que de jornalismo, porque o que a senhora escreveu não é artigo e não é reportagem. Talvez uma crônica, dessas em que o escritor sai divulgando uma estória que pescou de ouvido. Daí o resultado parece fofoca. E eu que pensava que jornalista pesquisava, estudava, ouvia fontes para escrever os seus textos. Parece que o único sujeito que fez isso foi o Hélio, da Folha.

Saiu um nota pública da editora que publicou o livro. Vale a pena ler. Já que o que a mídia e os inteligentões de plantão, como o Jabor, o Sérgio Nogueira, ou o Alexandre Garcia, que acham que sabem do que estão falando, não se deram ao trabalho de ir conferir o livro.

Da nota da editora (link acima): “Pode-se constatar, portanto, que os autores não estão se furtando a ensinar a norma culta, apenas indicam que existem outras variedades diferentes dessa.” Tá claro, ou é preciso desenhar?

Eu queria saber onde estavam todos esses especialistas em língua e ensino, porque eles não aparecem nos congressos? Por que não lançam livros nos iluminando com suas mentes sábias.

Achei mais um, claro, linkado no blog do Noblat, o sábio. “Visão Perversa”

Claro, o Reinaldo Azevedo continua sua cruzada. Basta ler o que o cara tem postado.

Vamos ver o que o presidente da ABL, Marcos Vilaça, declarou:

“— Discordo completamente do entendimento que os professores que fizeram esse trabalho têm. Uma coisa é compreender a evolução da língua, que é um organismo vivo, a outra e validar erros grosseiros. É uma atitude de concessão demagógica. É como ensinar tabuada errada. Quatro vezes três é sempre 12, na periferia ou no palácio — afirmou.” Que primor de analogia. Acho que ele deve saber que no tempo dos gregos e até hoje a tabuada é a mesma. Que lá em Manaus a tabuada é a mesma que aqui no Paraná. Mas será que é tão complicado aceitar que a concordância pode variar? O pior é a completa ignorância no assunto, já que o nobre acadêmico não se deu ao trabalho de ver que o livro busca justamente ensinar a norma culta. Só pra constar, segundo a wikipédia, o acadêmico é ministro do Tribunal de Contas, advogado, jornalista, poeta, entre outras coisas. Quer alguém mais qualificado pra falar de ensino de língua e julgar o mérito de um livro didático? Parece que não tem.

Reinaldo posta inclusive uma nota do jornal o Globo, em que uma procuradora da república se mostra indignada com os livros. Olha procuradora, tanto corrupto por aí roubando dinheiro de merenda e a senhora preocupada com os livros didáticos…

Vou para por aqui, se eu procurar, não vou parar de achar tolices sobre o assunto.

Saiu um outro texto meu sobre o tema no portal de um jornal local, o A Cidade, a diagramção do site é bem bagunçada, mas é fácil encontrar o texto.

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