eu não entendo nada de política (mas vou escrever mesmo assim).

Uma tentativa de resposta ao Rerisson:

1) Uma coisa é uma coisa: no contexto do século XIX era a única forma do proletariado conseguir seus direitos: a revolução. Pessoalmente discordo do que Stalin, Mao e Fidel fizeram ou mesmo Chávez faz. O fato de eu simpatizar com a esquerda não quer dizer que eu seja ortodoxo. Para o PSOL, PSTU e congêneres todo poder é culpado de tudo e só a revolução resolverá os problemas do povo. Os radicais do PT fundaram o PSOL justamente porque o PT se modernizou, e só com essa mudança ideológica o partido chegou ao poder, mesmo que às custas do radicalismo ingênuo. O PSDB era de esquerda na sua fundação, FHC era de esquerda. O movimento para o centro do espectro político foi um caminho natural e saudável.

3) A controvérsia é saudável. A política seria um saco se todos dissessem amém ao que diz a direção de um partido. Discordo de algumas posturas da Dilma e do Lula, mas aquilo em que acredito é maior do que eles. Eles são representantes, apenas, não donos de minhas crenças políticas. O que me une a eles é o que o partido representa, muito mais do que as opiniões pessoais que eles ou Zé Dirceu possuam. Mas no final das contas a maioria vence, mesmo que isso não nos agrade, temos que aceitar.

4) Você tem razão. Tanto é assim que o Ciro Gomes, que já criticou o PT e o PMDB está do lado de Dilma no segundo turno (por que será?). É claro que uma parte considerável de nossos políticos se debandeia para onde está o poder, tirando a extrema direita (DEM) e a extrema esquerda (PSTU, PSOL).

5) Sim, é mentira. Não, o PT não tem passado leis de censura. Regular a atividade é uma coisa, censurar é outra. Quanto ao aparelhamento do estado isso não significa nada. Qualquer partido que entre vai aparelhar os órgãos públicos com correligionários, isso é fato.

6) Não é discurso petista chamar a imprensa de mídia. A ‘mídia’ envolve todos os meios de comunicação. Tá, ele queria expulsar o jornalista: e conseguiu? “Queria passar por cima do congresso”, passou? vivemos em uma democracia saudável. Claro que me preocupo com certos arroubos autoritários, de quem quer que seja. Tudo isso está baseado em duas premissas equivocadas: a mídia presta um serviço de utilidade pública e deve informar os fatos com objetividade. A mídia, como qualquer empresa, só tem compromisso com o lucro. Segundo, a objetividade é uma ilusão (olha que eu sou racionalista e detesto os relativismos a la Derrida ou a la Análise de Discurso francesa). Nossa visão dos fatos é sempre atravessada pela ideologia, não há como escapar disso.

7) A Dilma não é contraditória sobre isso. Ser a favor da descriminalização não é ser a favor da matança de criancinhas. As coisas são diferentes. O problema é de saúde pública e não uma questão religiosa como tem sido vendida. Não acho nem que o tema deveria estar sendo discutido na campanha porque isso não é de competência do executivo, quem trouxe o tema à baila foi o PSDB para agredir a Dilma.

9) Ninguém diz que quem é contra o aborto está do lado errado. Também sou contra, não acho que uma mulher que engravidou por inconsequência ou irresponsabilidade possa simplesmente ir ao próximo posto de saúde e pedir um aborto. Só acho errado discutir uma questão de saúde pública do ponto de vista da religião, para quem usar camisinha é errado. O ódio aos pobres está misturado no seu raciocínio, não entendi o que ele faz ali.

10) Também sou contra o Bolsa-família sem contrapartida: no final vira paternalismo. O controle deve ser rígido, só que isso é de responsabilidade das prefeituras e creio que cabe ao legislativo regular isso. Lula acusava a bolsa do FHC, agora a chapa de Serra critica a bolsa do Lula. Faz parte do debate.

11) Você está equivocado. O PNDH 3 (o 1 e o 2 foram feitos no governo FHC) é um programa de governo (não do partido). A igreja critica a descriminalização do aborto, o casamento gay e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, coisas previstas no PNDH3. A igreja tem todo o direito de ser contra isso. Quem decidirá é o congresso nacional, não o presidente. Quanto à proposta de censura de imprensa isso é a leitura do Reinaldo Azevedo. Esse programa, PNDH, foi desenvolvido baseado num tratado que o Brasil assinou no ano de 1993, em Viena. Não vou me dar o trabalho de ler o negócio todo agora, mas seria no mínimo contraditório um documento que defende a abertura dos arquivos das forças armadas ao mesmo tempo censurar a imprensa (ou a mídia, o que preferir).

12) A Folha é tão democrática que conseguiu tirar do ar um site que fazia piada com suas notícias, além de ter demitido uma jornalista porque não concordaram com o que ela escreveu.

13) Acho que já respondi acima: não existe imparcialidade. Exigir parcialidade é um equívoco. Não estou dizendo que noticiar escândalos seja errado, em nenhum momento disse isso. O presidente tem todo direito de não gostar, se eu fizesse algo errado, e publicassem também não gostaria de ler sobre.

14) Foi um elogio genério, não vou procurar a edição pra te mostrar.

15) Sabatina leve? fala sério, então vimos programas diferentes. O Bonner só faltava babar enquanto falava com a Dilma. Novamente, aqui nossas ideologias vão interpretar as coisas de forma diferente, não há como chegar a lugar algum.

16) Veja a veja. Objetividade? me embrulha o estômago a forma como as coisas são escritas na Veja, Reinaldo Azevedo e o Mainardi nutrem um ódio pelo PT e pelo Lula que dá nojo. A crítica é saudável, quando feita com bom senso e respeito. E na boa, se você acha que reportagem sobre a roupa da Dilma “vestida para mandar” (olha o trocadilho) é seriedade e objetividade …

17) Bom, se o IBOPE tem problemas com regulamentação de pesquisa eleitoral aí estamos fritos, não podemos confiar em mais ninguém. Não é o Ibope que diz que o presidente tem a popularidade alta? Vai ver só perguntaram aos petistas.

18) Aqui eu concordo. Lula teve todo o tempo do mundo para estudar. De 1990 a 2002 não exerceu cargo algum. O sucesso dele só veio depois de ter assumido o governo, daí que seu raciocínio não tem segue. Ele é sim um pobre que venceu por esforço e trabalho. Muitos pobres venceram pelo trabalho e esforço sem terem estudado. Não acho que ele seja exemplo para nada. É só um líder nato, com uma inteligência política incrível. Um cidadão comum que chegou ao poder. Todo mundo defende que estudar é bom e é importante, aí é escolha da pessoa estudar ou não. Ele escolheu não estudar. Nos anos 70 um cursinho técnico era o máximo que um estudante pobre iria alcançar e já era grande coisa pra época.

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