“Palmadinha fora da lei”

Esse é o título da matéria da Veja do dia 21/07/2010. Não sei até que ponto o estado tem o direito de intervir na educação dos filhos de alguém, mas sei que o estado tem o DEVER de zelar pela integridade física e moral dos seus cidadãos.

Não agradeço aos meus pais por terem me batido, e se um dia vier a ter filhos não farei isso. Pelo contrário, cresci com medo do meu pai, e esse medo nunca me impediu de fazer coisas erradas.  Ou como disse Don Draper (personagem do seriado Mad Men) para sua esposa quando ela lhe disse que ele deveria bater no seu filho, ele respondeu que não bateria no menino, porque ter apanhado do seu pai só fez com que ele (Don) o odiasse.

O medo da punição nunca preveniu ninguém de fazer coisas erradas. Todo adulto sabe das consequências de um crime, mesmo assim comete. Agora pense numa criança, que desconhece os limites e não entende perfeitamente a sua existência. É a psicologia de dar um reforço negativo para atos considerados reprováveis. O problema é que os pais esquecem de reforçar os positivos, que são os mais importantes, mas um ser humano não é um cão para quem um biscoito serve como um reforço positivo.

Há cientistas que acreditam que o ambiente tem pouca influência na nossa personalidade e no nosso comportamento. Claro, o fato de eu ter apanhado quando criança nunca fez de mim uma criança violenta, porque eu não sou uma pessoa violenta. Já meu irmão mais novo vivia brigando na escola… Meus irmãos mais velhos batem nos filhos, e não raras vezes nas suas vidas usaram a violência como forma de resolução de conflitos, que ao invés de resolverem os conflitos, criaram novos. Moral da história, bater no seu filho não vai fazer ele ser alguém diferente, ele vai fazer coisas erradas simplesmente por não saber o que é o certo e o errado, ou pela adrenalina. A “palmadinha” pode ser uma forma de castigo, e definitivamente não é uma demonstração de amor.

Repórteres da Veja e defensores da punição física SABEM que uma palmada não é SÓ uma palmada, e não raro filhos servem de saco de pancada onde pais descarregam a sua frustração.

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3 comentários sobre ““Palmadinha fora da lei”

  1. mas às vezes uma palmada é só uma palmada também. eu sempre levei palmada de pai e mãe e não sou traumatizada, nem violenta, nem odeio meus pais. pelo contrário. eu sempre sabia exatamente por que tava apanhando, nunca apanhei sem motivo, e olhando pra trás devo dizer que na maioria avassaladora das vezes eu realmente mereci. e não foi o medo de apanhar que me impediu de fazer coisas erradas, mas a consciência muito precoce de que as coisas erradas eram erradas. e essa consciência eu só tive porque os meus pais me ensinaram, com palmadas e conversa.

  2. Nos tempos bíblicos já sabiam qua bater não faria alguém ser melhor. Vejamos a solução (prática e eficiente) que é aconselhada na bíblia:

    “Se um homem tiver um filho indócil e rebelde, que não atenda as ordens de seu pai nem da sua mãe, permanecendo insensível às suas correções, seu pai e sua mãe tomá-lo-ão e o levarão aos anciãos da cidade à porta da localidade onde habitam, e lhes dirão: este nosso filho é indócil e rebelde. não nos ouve, e vive na embriaguez e na dissolução. Então, todos os homens da cidade o apedrejarão até que ele morra. Assim, tirarás o mal do meio de ti, e todo Israel, ao sabê-lo, será possuído de temor” (DEUTERONÔMIO, 21, 18-21)

    É… não só Israrel mas qualquer beco desse mundo temeria ao ver uma cena assim… Já que os filmes de terror não me chocam mais como antigamente, passei a ler a bíblia…

    abs!

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