O goleiro, a maria chuteira e a natureza humana

O ser humano adora julgar os outros. Nessa altura do campeonato é certo que ninguém mais tem dúvida de que Bruno tem alguma parcela de culpa no sumiço de Eliza Samúdio. Mas não quero falar do caso, que é só uma ilustração do que nós humanos somos capazes. Psicopatia é uma doença por definição. O sujeito possui algum distúrbio que o impede de ter compaixão com o próximo, a violência é a arma mais simples para a resolução dos conflitos, para que dialogar? (não que o que eu acabei de dizer tenha alguma acuracia médica ou psicológica). O homem é mau, mentiroso e egoísta. O caminho mais fácil é o que 90% das pessoas escolhem, seja ele moral ou eticamente válido, ou não.

Talvez a nossa natureza seja essa mesma. Somos maus, a bondade é algo que nos é imposto pela religião ou pelo estado. A tese de que nascemos puros e de que é a sociedade que nos corrompe (Rousseau) está furada. No mínimo ela não explica porque nascemos bons, aprendemos a ser maus e depois temos que aprender a ser bons novamente. Há um lado no humano que é essencialmente mau, e esse lado é aquele que caça animais silvestres, que bate na esposa, que se aproveita dos estranhos e diferentes na escola, que monta em cavalos e touros bravos, que luta boxe etc. Nessas ocasiões, expurgamos nossa parcela do mau, como práticas terapêuticas. Daí lembro do Dexter Morgan: seu pai adotivo sabia que pelo que Dexter viveu ele seria um psicopata, e o ensinou a lidar com isso. Daí vem o dilema ético: matar quem faz o mal, é éticamente válido? Do ponto de vista legal não há discussão, um assassinato é sempre um assassinato.

O assassinato, ainda mais a sangue frio, sempre nos assusta. A cobertura da imprensa só é tamanha porque o acusado é um atleta, uma pessoa pública. Se os atores fossem cidadãos de segunda classe, a cobertura e apelo popular não seriam tamanhos. Embora crimes cruéis sempre despertem a ira do povo e a sede da mídia (vide Susane von Richtofen; casal Nardoni etc.).

Além disso, a reação das pessoas ‘de bem’ à essa violência é sempre emblemática. Para Luiz Carlos Prates, o bandido deve ser tratado com violência (e ainda somos tentados a ver os carcereiros dando sovas nos ladrões de galinha nos presídios catarinenses como apenas uma epifenômeno disso); e acredito que uma boa parcela da população acredite que Bruno e seus comparsas também deveriam ser esquartejados e jogados aos cães (vide a Lei de talião, uma das leis mais antigas, pelo que pesquisei, cujo equivalente bíblico é o olho por olho, dente por dente). Novamente, vale o princípio da solução mais simples: arranca-se a erva daninha pela raiz.

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